O Velho Bruxo e a sua sempre Nova Obra
O Velho Bruxo e a sua sempre Nova Obra
por Alexandre Xavier Lima
Nos últimos dias, vimos o nosso maior escritor voltar aos noticiários. A versão em inglês de Memórias Póstumas de Brás Cubas se esgotou em pouco tempo nas principais livrarias americanas, graças a tradução criteriosa de Flora Thomson-DeVeaux. Quem desejar conhecer o processo de tradução, pode conferir a edição de junho de 2020 da revista Piauí. Em artigo intitulado “A Gestão do Menino Diabo”, a tradutora descreve o desafio de traduzir nosso imortal. Com dicionários oitocentistas, bases de dados de ocorrências de expressões idiomáticas e comparação de versões, Thomson-DeVeaux levou cinco anos para realizar o projeto.
Graças também ao artigo de Dave Eggers, escritor de O Círculo, na revista The New Yorker. O escritor e crítico percebeu na obra Machadiana seu caráter universal e atemporal, com destaque para a qualidade estética exemplificada pelo ponto de vista privilegiado para contar sua história – a do defunto autor.
A leitura ainda se faz propícia nesse momento de transição entre o isolamento e a descoberta do novo mundo velho. Machado desvelou mais do que o homem em seu tempo, desvelou a nossa essência, repleta de contradições. E literalmente ainda conversa conosco, cheio de ironias e armadilhas. Convida-nos a partir de sua Obra a encarar a nossa própria tragicomédia.
Como estamos sempre copiando os norte-americanos sem qualquer filtro, vide a história da cloroquina, poderíamos absorver os bons exemplos, como aderir ao movimento “Vidas negras importam” – para ilustrar um aspecto social importante - e (re)descobrir o bruxo do Cosme Velho – nosso convite.
Hoje em dia é muito fácil ler a obra de Machado de Assis. Edições seguras e estabelecidas segundo a última vontade do autor estão disponíveis gratuitamente na web. Basta acessar o Google Play, por exemplo. Lá encontrará aplicativos que disponibilizam a ficção completa do autor.
Que a leitura, a exemplo das intenções de Brás Cubas com seu emplasto, possa “aliviar a nossa melancólica humanidade” (Machado de Assis).
Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-brasil-brasileiro-escritor-3002494/>
por Alexandre Xavier Lima
Nos últimos dias, vimos o nosso maior escritor voltar aos noticiários. A versão em inglês de Memórias Póstumas de Brás Cubas se esgotou em pouco tempo nas principais livrarias americanas, graças a tradução criteriosa de Flora Thomson-DeVeaux. Quem desejar conhecer o processo de tradução, pode conferir a edição de junho de 2020 da revista Piauí. Em artigo intitulado “A Gestão do Menino Diabo”, a tradutora descreve o desafio de traduzir nosso imortal. Com dicionários oitocentistas, bases de dados de ocorrências de expressões idiomáticas e comparação de versões, Thomson-DeVeaux levou cinco anos para realizar o projeto.
Graças também ao artigo de Dave Eggers, escritor de O Círculo, na revista The New Yorker. O escritor e crítico percebeu na obra Machadiana seu caráter universal e atemporal, com destaque para a qualidade estética exemplificada pelo ponto de vista privilegiado para contar sua história – a do defunto autor.
A leitura ainda se faz propícia nesse momento de transição entre o isolamento e a descoberta do novo mundo velho. Machado desvelou mais do que o homem em seu tempo, desvelou a nossa essência, repleta de contradições. E literalmente ainda conversa conosco, cheio de ironias e armadilhas. Convida-nos a partir de sua Obra a encarar a nossa própria tragicomédia.
Como estamos sempre copiando os norte-americanos sem qualquer filtro, vide a história da cloroquina, poderíamos absorver os bons exemplos, como aderir ao movimento “Vidas negras importam” – para ilustrar um aspecto social importante - e (re)descobrir o bruxo do Cosme Velho – nosso convite.
Hoje em dia é muito fácil ler a obra de Machado de Assis. Edições seguras e estabelecidas segundo a última vontade do autor estão disponíveis gratuitamente na web. Basta acessar o Google Play, por exemplo. Lá encontrará aplicativos que disponibilizam a ficção completa do autor.
Que a leitura, a exemplo das intenções de Brás Cubas com seu emplasto, possa “aliviar a nossa melancólica humanidade” (Machado de Assis).
Fonte da imagem: <https://pixabay.com/pt/illustrations/homem-brasil-brasileiro-escritor-3002494/>

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